Chefes de Estado reunidos no Rio reforçaram discurso pelo desenvolvimento sustentável
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Rio de Janeiro (RJ) - Os discursos dos chefes de Estado reunidos
nesta segunda-feira na cidade do Rio de Janeiro no Seminário Internacional sobre Desenvolvimento Sustentável tiveram uma série de pontos comuns e convergentes, como a necessidade urgente de se buscar o chamado desenvolvimento sustentável.
Para o presidente da Abema (Associação Brasileira de Entidades
Estaduais de Meio Ambiente) e secretário de Meio Ambiente do Rio Grande do Sul Claudio Langone, houve um avanço no Seminário em relação ao primeiro dia do evento, nesse Domingo (23), principalmente pela disposição das autoridades presentes. Segundo ele, essa atitude "reforça a possibilidade de que o Brasil assuma uma articulação de liderança no bloco dos países periféricos". No entanto, "é necessário um movimento mais concreto no próprio Seminário para que governos e demais movimentos sociais presentes
revertam o quadro contrário à Cúpula de Joanesburgo", ressaltou Langone.
Para o presidente da Abema, seria estratégico, frente ao pouco tempo que resta para o encontro mundial, "centrar esforços também na declaração política da Rio+10, que ainda não foi definida".
Participaram da mesa na audiência de Chefes de Estado o presidente
brasileiro Fernando Henrique Cardoso; da África do Sul Thabo Mbeki; o
primeiro-ministro da Suécia Goran Persson; a princesa jordaniana Basma Bint Talal; e também Maurice Strong; Klaus Topfer; Emil Salim e Nithim Dessay.
Fernando Henrique foi enfático ao dizer que "o legado da Rio92
está ameaçado". Para o presidente brasileiro, o país tem um compromisso moral com os compromissos firmados naquele encontro global e, por isso, a Cúpula de Joanesburgo "deve avaliar o que foi feito e definir os necessários e próximos passos". Segundo ele, a Agenda21 nacional está pronta, e seu lançamento deve ocorrer ainda na primeira quinzena de julho.
Para o presidente sul africano Thabo Mbeki, a Cúpula Mundial sobre
Desenvolvimento Sustentável tem que estar em linha com os progressos que foram alcançados desde o primeiro encontro global sobre temas ambientais, em Estocolmo, na Suécia, em 1972. Segundo ele, "o desafio para a próxima Cúpula é justamente se trabalhar uma agenda realmente integrada em nível internacional para se chegar a um novo modelo de desenvolvimento". Mbeki destacou ainda que a pobreza é um tema emergente em todo o planeta, e que precisa ser enfrentado juntamente com as questões ecológicas. Goran Persson, primeiro-ministro sueco, defendeu um novo diálogo entre Norte e Sul do globo, usando e reforçando os mecanismos da Organização das Nações Unidas (ONU). Ele salientou que "é preciso investir em novas tecnologias, que permitirão o desenvolvimento econômico e o uso mais correto dos
recursos naturais". A princesa da Jordânia disse que a maioria dos
problemas da comunidade internacional está relacionada com a crise
ecológica. Para Basma Talal, "medidas firmadas na Rio92 tiveram e tem
implementação lenta, o que só ampliou a deterioração dos ambientes no
globo". O vice-primeiro-ministro britânico John Prescott, que ganhou a platéia fazendo várias alusões à vitória brasileira sobre a Inglaterra na Copa do Mundo, disse que os princípios de justiça social da Agenda 21 não foram concretizados. Sendo assim, segundo ele, "não adianta falar de sustentabilidade onde não há qualquer crescimento econômico; falar de sustentabilidade para uma mãe que vê seu filho morrendo de cólera ou para uma pessoa morrendo de fome ou de sede". Prescott trouxe ainda a informação de que uma criança morre a cada dez segundos no globo, na maioria das vezes por doenças transmitidas por água de má qualidade. Para o ex-ministro dos
Transportes e Meio Ambiente da Inglaterra, "é preciso canalizar energias entre todos os países e seus líderes políticos pelo sucesso da Cúpula Mundial. Precisamos de consenso e não de um país que abandona as discussões de forma unilateral (se referindo aos EUA). Não podemos nos dar ao luxo de fracassar em Joanesburgo ou arcaremos com as conseqüências.
Existem milhões de pessoas esperando por isso". O economista indonésio e presidente do comitê organizador da 3ª Reunião Preparatória para a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável (PrepCom3), em Bali, realizada em junho, Emil Salim, trouxe cinco pontos que considera chave para o sucesso de Joanesburgo: meios de implementação que, segundo ele, perpassam pelo GEF (Fundo Ambiental Global); redução das distorções do mercado internacional;
uma globalização mais eqüitativa; programas de ação concretos; e a
manutenção do princípio da responsabilidade comum mas diferenciada (Rio92).
A vice-governadora do Rio, Benedita da Silva, alertou a todos sobre os riscos de retrocesso em relação aos acordos firmados na Eco92. Para ela, o grande legado da cúpula mundial de 10 anos atrás foi levar ao globo a lógica do desenvolvimento sustentável e esclarecer a necessidade de se ampliar o debate diplomático à sociedade civil. "De nossa construção de hoje depende o futuro das próximas gerações", disse. Falou também que no processo que conduz à Conferência os interesses de mercado não devem prevalecer sobre o bem-estar da sociedade. Discursaram ainda durante a cerimônia de chefes de Estado Klaus Topfer, Ignacy Sachs, Thomas Lovejoy, Rubens Börn, Claude Martin, Rodrigo Agostinho e outros.
Ainda dentro da programação oficial do Seminário Internacional
nesta segunda se realizaram duas sessões de informes, sobre iniciativas regionais e iniciativa de energia; e quatro painéis que discutiram temas como realizações no âmbito do desenvolvimento sustentável nos últimos 10 anos e o que poderia ter ocorrido de melhor no período; como o desenvolvimento sustentável pode tornar a globalização mais inclusiva e eqüitativa; perspectivas para a Rio+10 e também para as próximas décadas.
PROTESTOS - A entrada do presidente Fernando Henrique foi marcada por
aplausos, e também por vaias de ambientalistas. Em seguida, o Movimento Inter-religioso do Rio de Janeiro realizou uma rápida "oração pela Terra".
Quando as luzes foram apagadas e novamente acesas para a apresentação de um pequeno vídeo sobre biodiversidade, algumas dezenas de manifestantes com máscaras de gás e faixas contra o presidente norte-americano George W. Bush roubaram a atenção da platéia. Eram ecologistas protestando contra Bush, que levou os Estados Unidos a não aceitar as diretrizes do Protocolo de Quioto. Uma faixa trazia a inscrição "Bush: The dark side of the World"
(Bush: O lado escuro do mundo).
O Seminário Internacional sobre Desenvolvimento Sustentável: de Estocolmo a Joanesburgo segue nesta terça-feira com mais painéis, com a cerimônia de transferência da sede. À tarde, ocorre a plenário final e o encerramento do evento. A Cúpula Mundial sobre o Desenvolvimento Sustentável (Rio+10) se realizará entre 26 de agosto e 4 de setembro em Joanesburgo, na África do Sul.
nesta segunda-feira na cidade do Rio de Janeiro no Seminário Internacional sobre Desenvolvimento Sustentável tiveram uma série de pontos comuns e convergentes, como a necessidade urgente de se buscar o chamado desenvolvimento sustentável.
Para o presidente da Abema (Associação Brasileira de Entidades
Estaduais de Meio Ambiente) e secretário de Meio Ambiente do Rio Grande do Sul Claudio Langone, houve um avanço no Seminário em relação ao primeiro dia do evento, nesse Domingo (23), principalmente pela disposição das autoridades presentes. Segundo ele, essa atitude "reforça a possibilidade de que o Brasil assuma uma articulação de liderança no bloco dos países periféricos". No entanto, "é necessário um movimento mais concreto no próprio Seminário para que governos e demais movimentos sociais presentes
revertam o quadro contrário à Cúpula de Joanesburgo", ressaltou Langone.
Para o presidente da Abema, seria estratégico, frente ao pouco tempo que resta para o encontro mundial, "centrar esforços também na declaração política da Rio+10, que ainda não foi definida".
Participaram da mesa na audiência de Chefes de Estado o presidente
brasileiro Fernando Henrique Cardoso; da África do Sul Thabo Mbeki; o
primeiro-ministro da Suécia Goran Persson; a princesa jordaniana Basma Bint Talal; e também Maurice Strong; Klaus Topfer; Emil Salim e Nithim Dessay.
Fernando Henrique foi enfático ao dizer que "o legado da Rio92
está ameaçado". Para o presidente brasileiro, o país tem um compromisso moral com os compromissos firmados naquele encontro global e, por isso, a Cúpula de Joanesburgo "deve avaliar o que foi feito e definir os necessários e próximos passos". Segundo ele, a Agenda21 nacional está pronta, e seu lançamento deve ocorrer ainda na primeira quinzena de julho.
Para o presidente sul africano Thabo Mbeki, a Cúpula Mundial sobre
Desenvolvimento Sustentável tem que estar em linha com os progressos que foram alcançados desde o primeiro encontro global sobre temas ambientais, em Estocolmo, na Suécia, em 1972. Segundo ele, "o desafio para a próxima Cúpula é justamente se trabalhar uma agenda realmente integrada em nível internacional para se chegar a um novo modelo de desenvolvimento". Mbeki destacou ainda que a pobreza é um tema emergente em todo o planeta, e que precisa ser enfrentado juntamente com as questões ecológicas. Goran Persson, primeiro-ministro sueco, defendeu um novo diálogo entre Norte e Sul do globo, usando e reforçando os mecanismos da Organização das Nações Unidas (ONU). Ele salientou que "é preciso investir em novas tecnologias, que permitirão o desenvolvimento econômico e o uso mais correto dos
recursos naturais". A princesa da Jordânia disse que a maioria dos
problemas da comunidade internacional está relacionada com a crise
ecológica. Para Basma Talal, "medidas firmadas na Rio92 tiveram e tem
implementação lenta, o que só ampliou a deterioração dos ambientes no
globo". O vice-primeiro-ministro britânico John Prescott, que ganhou a platéia fazendo várias alusões à vitória brasileira sobre a Inglaterra na Copa do Mundo, disse que os princípios de justiça social da Agenda 21 não foram concretizados. Sendo assim, segundo ele, "não adianta falar de sustentabilidade onde não há qualquer crescimento econômico; falar de sustentabilidade para uma mãe que vê seu filho morrendo de cólera ou para uma pessoa morrendo de fome ou de sede". Prescott trouxe ainda a informação de que uma criança morre a cada dez segundos no globo, na maioria das vezes por doenças transmitidas por água de má qualidade. Para o ex-ministro dos
Transportes e Meio Ambiente da Inglaterra, "é preciso canalizar energias entre todos os países e seus líderes políticos pelo sucesso da Cúpula Mundial. Precisamos de consenso e não de um país que abandona as discussões de forma unilateral (se referindo aos EUA). Não podemos nos dar ao luxo de fracassar em Joanesburgo ou arcaremos com as conseqüências.
Existem milhões de pessoas esperando por isso". O economista indonésio e presidente do comitê organizador da 3ª Reunião Preparatória para a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável (PrepCom3), em Bali, realizada em junho, Emil Salim, trouxe cinco pontos que considera chave para o sucesso de Joanesburgo: meios de implementação que, segundo ele, perpassam pelo GEF (Fundo Ambiental Global); redução das distorções do mercado internacional;
uma globalização mais eqüitativa; programas de ação concretos; e a
manutenção do princípio da responsabilidade comum mas diferenciada (Rio92).
A vice-governadora do Rio, Benedita da Silva, alertou a todos sobre os riscos de retrocesso em relação aos acordos firmados na Eco92. Para ela, o grande legado da cúpula mundial de 10 anos atrás foi levar ao globo a lógica do desenvolvimento sustentável e esclarecer a necessidade de se ampliar o debate diplomático à sociedade civil. "De nossa construção de hoje depende o futuro das próximas gerações", disse. Falou também que no processo que conduz à Conferência os interesses de mercado não devem prevalecer sobre o bem-estar da sociedade. Discursaram ainda durante a cerimônia de chefes de Estado Klaus Topfer, Ignacy Sachs, Thomas Lovejoy, Rubens Börn, Claude Martin, Rodrigo Agostinho e outros.
Ainda dentro da programação oficial do Seminário Internacional
nesta segunda se realizaram duas sessões de informes, sobre iniciativas regionais e iniciativa de energia; e quatro painéis que discutiram temas como realizações no âmbito do desenvolvimento sustentável nos últimos 10 anos e o que poderia ter ocorrido de melhor no período; como o desenvolvimento sustentável pode tornar a globalização mais inclusiva e eqüitativa; perspectivas para a Rio+10 e também para as próximas décadas.
PROTESTOS - A entrada do presidente Fernando Henrique foi marcada por
aplausos, e também por vaias de ambientalistas. Em seguida, o Movimento Inter-religioso do Rio de Janeiro realizou uma rápida "oração pela Terra".
Quando as luzes foram apagadas e novamente acesas para a apresentação de um pequeno vídeo sobre biodiversidade, algumas dezenas de manifestantes com máscaras de gás e faixas contra o presidente norte-americano George W. Bush roubaram a atenção da platéia. Eram ecologistas protestando contra Bush, que levou os Estados Unidos a não aceitar as diretrizes do Protocolo de Quioto. Uma faixa trazia a inscrição "Bush: The dark side of the World"
(Bush: O lado escuro do mundo).
O Seminário Internacional sobre Desenvolvimento Sustentável: de Estocolmo a Joanesburgo segue nesta terça-feira com mais painéis, com a cerimônia de transferência da sede. À tarde, ocorre a plenário final e o encerramento do evento. A Cúpula Mundial sobre o Desenvolvimento Sustentável (Rio+10) se realizará entre 26 de agosto e 4 de setembro em Joanesburgo, na África do Sul.